eu não aguentava mais aquela visão da janela. era sempre o mesmo dia. um enorme e interminável dia composto de outros 360 dias. e ele nunca falou eu não te amo mais. ele simplesmente mudou. ele continuava a amar, mas ele num era mais o mesmo. e numa determinada hora eu num me via mais nos olhos dele. aí a coisa já tinha mesmo acabado. parece coisa de romance q a gente encontra pendurado na banca de revista, mas qdo a gente num se vê nos olhos do outro...já era. farwell, bye-bye. parecia inacreditável. parecia impossível que aquela loucura tivesse acabado. tinha sido um inferno. e tinha sido incrível ao mesmo tempo. eu já tinha enlouquecido milhares de vezes, eu já estava totalmente doente e queria sair daquilo de qualquer maneira. encontrei a saída nem sei como. acho que topei com a porta uma centena de vezes. mas a gente só encontra a saída qdo quer mesmo sair. o resto é cena. com mta convicção, mas é cena. anos depois alguém me falou o óbvio: a gente pode qdo a gente pode.
bom, parecia inacreditável. tinha durado tão pouco comparado a toda a intensidade e todas as mudanças que aconteceram naquele período. mas acabou e deixou, depois de muito tempo, um alívio. ao mesmo tempo num restou nada. somente a memória, o que via de regra sempre resta, pelo menos como registro cronológico. ou melhor, deixou um monte de coisas fechadas num vazio. a primeira grande desilusão é meio assim pra todo mundo. parece o fim do mundo, e é mesmo, mas depois que passa a gente saca que o mundo não acaba assim tão fácil. o olha que num tava sendo fácil na hora.
e o ridículo? putz, esse é foda de superar. lembrar tudo o que a gente fez, mesmo qdo a gente está psicologicamente comprometido...na boa, a gente sempre está comprometido. sei que eu estava bem mal e que isso acalma a vergonha um pouco, mas saca aquela sensação de ressaca no dia seguinte q deixa a gente com medo de lembrar do que fez...? pois é, ainda me sinto assim.
sei que um dia acabou aquela visão da janela. e este trecho da música nunca fez tanto sentido:
Never change the view from my window.
I see the same old road with the same old souls
together going nowhere.
But that won't be me? I've got plans you see.
Places to go? spaces to grow.
Got a hand full of dreams and a heart full of hope.
With a head full of screams? it gets hard to cope.
So I'm leaving it all behind.
Saving the life that's mine.
I've got a train to catch and I can't be late.
I'm on my way to another state of mine.
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