estávamos lado a lado. o jantar demorava, rolavam uns drinks. eu mergulhei no decote dela. era amplo, branco, exposto. do outro do lado o gigante de banhas mergulhava mais ainda. se ajeitava na cadeira, reacomodava a massa adiposa e esticava o que lhe restava de pescoço deixando os olhos caírem naquele abismo de carne.
eu olhava em volta, meio zonzo de calor e alcóol, confuso com a mesa cheia, o cheiro de carne_havia carne para todo lado, viva, cozida, assada_ e o apetite voraz daqueles homens de camisas e testas ensopadas. ela ria. meio alcolizada, meio coquete, mas na maior parte do tempo completamente inconsciente de tudo. uma cruzada de pernas, uma debruçada descuidada e revejo todos os meus pensamentos. não aqueles que eu tentava bravamente nem pensar. olhei bem pra ela, diminuta na cadeira e percebi que mesmo o sorriso alcolizado, o apertar dos olhos, o braçao meio bobo que caia da cadeira... tudo enfim, tudo era premeditado, tudo era parte daquilo que ela havia aprendido e introjetado. tudo aquilo fazia parte do que era ser mulher para ela. mesmo a vulnerabilidade, a insegurançaa de quem não sabe se agrada e seduz e faz de conta que não percebe. tudo era calculado minuciosamente pela mãe, pela avó, por todas as mulheres que vieram antes dela.
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