EM 18 DE MARÇO DE 2002, jornais e TVs de todo o mundo noticiaram que a Terra tinha escapado de uma provável colisão com um asteróide recentemente descoberto, o 2002EM7. Os astrônomos observaram a rocha de 70 metros de extensão quatro dias depois de o corpo ter passado a uma distância de 462 mil km da Terra, cerca de 1,2 vez a distância entre a Terra e a Lua. Embora tenha recebido um bocado de atenção, o 2002EM7 é somente um entre as centenas de milhares de asteróides que se aproximam ou cruzam a órbita da Terra. O esforço internacional para detectar e rastrear esses objetos potencialmente ameaçadores é chamado de Vigilância da Guarda Espacial (Spaceguard Survey ).
Em 1998, a Nasa, por medida de urgência no Congresso, adotou como meta detectar 90% dos quase 1.100 objetos próximos da Terra (Near Earths Objects - NEOs) maiores que 1 km de diâmetro. Na metade do programa de 10 anos, os astrônomos já encontraram mais de 660 Neos dessas dimensões e mais de 2.500 objetos menores. Muitos dos asteróides rastreados atualmente foram vistos pela primeira já deixando as vizinhanças da Terra, exatamente como aconteceu com o 2002EM7. Felizmente qualquer asteróide com possibilidade de colidir com a Terra muito provavelmente passará dentro de algumas distâncias lunares do planeta milhares de vezes antes de uma eventual colisão. Se os pesquisadores identificarem os objetos vindo em nossa direção em rota de colisão, eles provavelmente o detectarão décadas ou até séculos antes que a colisão possa ocorrer.
Um cenário de curto período de alerta, como foi dramatizado nos filmes Armageddon e Impacto Profundo, é extremamente improvável. Toda vez que a Spaceguard detecta um novo Neo, os cientistas fazem projeções baseadas em sua órbita para determinar se ele poderá atingir a Terra nos próximos 100 anos. A grande maioria de objetos descobertos até agora (mais de 99%) não oferece perigo. Raras vezes a Spaceguard encontra Neos que possam passar perto da Terra dentro de algumas décadas. Como o procedimento para determinar órbitas futuras, como todas as previsões, tem precisão limitada, um desses objetos pode, na verdade, estar em rota de colisão. Assim, a Spaceguard monitora esses poucos Neos com muito cuidado, aumentando gradativamente a precisão das previsões de suas trajetórias.
Um asteróide com diâmetro de 200 metros não imporia ao planeta uma devastação tão grande quanto uma rocha de 1 km, mas com um poder explosivo de 600 megatoneladas ou mais ele ainda poderia destruir completamente uma cidade, se colidisse apenas de raspão. Embora a Spaceguard tenha encontrado muitos asteróides dessas dimensões, serão necessários grandes telescópios para detectar com eficiência os 100 mil asteróides pequenos, mas ainda perigosos que cruzam a órbita terrestre.
Os cientistas fizeram várias propostas para estender a busca de asteróides até objetos de cerca de 200 metros, mas ainda não existe nenhum comprometimento nesse sentido. De qualquer forma, esse provável aumento de vigilância não estará completo antes dos próximos 15 a 20 anos.
quarta-feira, novembro 05, 2003
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