terça-feira, novembro 25, 2003
umas mulheres
ela falou pra mim. ou fui eu que falei pra ela. num sei. tinha um dry martini na mesa. ou ela é que segurava o palito próximo dos lábios enquanto mordiscava a azeitona. não. não pode ser. estou inventando isso. "it's time to move on". saiu da minha boca quase ao mesmo tempo que da dela. falei do filme com a meryl streep tb. tenho certeza que fui eu que falei do filme. ela vibrou. ou parecia vibrar. nos reconhecíamos pela angústia. vibrei. fui eu que vibrei. ela só estava me testando. puxando uns cordõezinhos pra ver o que eu faria. eu era o rato, ela o médico. sempre foi assim. eu gostava disso. gostava que me testassem, que puxassem os meus cordões , que me desafiassem. mas eu achava q era sincero da parte dela também. acreditei naquele olhar, no dry martini, no riso irônico, no jeito de arregalar os olhos e esticar o pescoço.
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